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As diferenças
Como muito de nós sabemos, existem diferentes nações ou “lados” popularmente ditos existentes dentro do culto do Batuque. Isto se dá pela grande variedade de etnias de negros, que reduzidos à condição de escravos, chegaram ao nosso país. Cada grupo étnico que aqui aportou pertencia a locais distintos na África, tendo assim, costumes e culturas diferenciadas. Assim, portanto, chegaram daometanos, yorubás, congolenses, angolanos e inúmeros outros grupos, que em terras brasileiras procuraram manter seus hábitos, suas culturas e também seus ritos religiosos. A partir daí surgiram as nações do batuque, ou seja, a prática conforme ritos específicos da origem do povo praticante. Portanto, cada nação do Batuque possui características próprias, que a diferencia das demais. Estas diferenças se encontram em algumas divindades cultuadas, ordem de rezas, maneiras de feituras e em determinadas práticas de caráter sigiloso, enfim, numa série de fatores distintivos. Na África, as nações diferenciavam pelas divindades cultadas, nas quais existem os Voduns para os daometanos, Orixás para os yorubás e Inkisses para os batus. Vodun ou Vodoun (ortografia Beninense; Vodun / Vodum no Brasil; Vodou, Vaudou ou outras ortografias foneticamente equivalentes no Haiti; Vodu ou Vudu em português, porém no Brasil escrito dessa forma tem sentido pejorativo), aplica-se aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada nos ancestrais, que tem as suas raízes primárias entre os povos Fon-Ewe da África Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente Reino do Daomé, onde o vodun é hoje em dia a religião nacional de mais de 7 milhões de pessoas. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico transatlântico. Vodun beninense ou africano-ocidental é similar ao Vodun jeje em sua ênfase nos antepassados, porém cada família dos espíritos tem seu próprio clero especializado que é freqüentemente hereditário. Os espíritos incluem Mami Wata, que são divindades das águas; Legba, que é viril e os jovens em contraste com a forma de homem velho; Gú, que governa o ferro e ferraria; Sakpatá, que governa doenças e muitos outros espíritos distintos em sua própria maneira. Para além do Benin, o vodun africano e as práticas que dele descendem podem ser encontrados na República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Brasil, Haiti, Estados Unidos, Gana e Togo. A palavra vodun é a palavra Fon-Ewe para espírito. Inkisse ou Nkisi (cujo plural é Mikisi ) é a palavra em kimbundu que significa “ Energia Divina ” e que define o que chamamos de “ Santo ”. Cada Inkisi se manifesta no Plano físico como um elemento da natureza, um som, uma (ou mais) cor, um (ou mais) mineral, uma formação natural definida. Na mitologia dos povos de língua Kimbundo, originários do Norte de Angola, O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Inkices (do kimbundu Nkisi ou (plural) Minkisi receptáculos), divindades da mitologia Bantu. Esse deus corresponde à Olodumaré e os Orixás da mitologia Yorubana. E por sua vez, os Orixás (no qual logo abordarei um texto específico sobre o assunto) são os deuses africanos dos yorubás, representados pelos elementos da natureza e são os que exclusivamente se cultuam no batuque do RS.
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