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Sob a proteção do guerreiro Nos tempos da senzala, os escravos eram impedidos de praticarem os seus cultos às divindades Orixás. Devido à imposição religiosa da época e o sentimento de sofrimento e medo que seus “donos” impunham, era praticamente impossível aos negros renderem-se aos seus ritos e credos. Diante do fato, os negros se valiam de artimanhas para tal finalidade: Cultuavam seus Deuses escondidos dentro das imagens dos santos católicos (no qual eram de madeira), criando assim o sincretismo religioso Afro-católico. Associaram os santos cultuados pelas igrejas às Divindades Orixás, Santa Bárbara com Iansã, Nsa dos Navegantes com Yemanjá, São Jerônimo com Xangô, assim como os demais. Certa vez, um menino da senzala, analisando as imagens, fixou sua atenção a um específico; Eis ali diante dele a imagem de um santo montado em um cavalo, lutando contra um dragão. Neste momento, ele avista um negro alto e forte, que ficara somente lhe observando, e pergunta: - Senhor, quem é este aqui? Apontando para a imagem. - Este meu filho, para uns é São Jorge e para outros é Ogun. Sem entender muita coisa, o pensativo menino questiona novamente. - Mas em quem devo acreditar? Quem é Ogun? Com olhar de serenidade o homem responde. – Acredite em quem o seu coração mandar, veja sua raiz, sua natureza e siga aquilo que lhe fizer melhor. Ogun, é o Orixá do trabalho, do ferro, dono da tecnologia, ele é o vencedor das demandas e batalhas, um verdadeiro guerreiro. Ogun não se dá por vencido nunca, nunca desiste e nunca abandona seus filhos. Por mais que as coisas na vida estejam ruins, saiba que Ogun sempre lutará por todos, e você meu filho, é um filho de Ogun. Ele lhe protegerá por toda sua vida, livrando-o das amarguras e dificuldades ao longo de sua jornada aqui nesta terra. O menino pára e reflete sobre tudo o que ele e seus antepassados sofreram pelo regime escravacionista e diz: - Senhor. Será que um dia vou poder seguir com meu caminho religioso para que eu possa cultuar Ogun? - Meu filho, você já é livre para acreditar. Hoje eles podem fazer você rezar ao deus daqueles que te fazem sofrer, mas eles não podem fazer você negar sua natureza. Hoje, eles fazem você conviver com toda intolerância, mas eles nunca poderão fazer você desistir de sua fé. Você é um guerreiro, por viver com todo o mal que esse mundo lhe oferece e conseguir ter o coração que tens, de ajudar ao seu próximo e querer sempre o bem. - Eu prometo que vou lutar e não vou desistir enquanto eu não ver meu povo livre. Tudo que eu puder fazer por eles, eu farei. Juro em nome de Ogun!! Com ar de felicidade o homem pergunta: - Meu filho, como é o seu nome? - Aqui me chamam de Francisco, mas meu nome é ZUMBÍ. Reponde o menino em brado forte. - Então meu filho saiba que você terá uma enorme missão aqui, e que Ogun sempre lhe acompanhará em toda sua luta. Nunca estarás sozinho, eu também lhe juro isso. Aquele homem começa a deixar o recinto desejando boa sorte ao menino, que interrompe sua saída e lhe pergunta: - Senhor, por que o senhor não me chama pelo nome e como faço para encontrá-lo de novo? O homem pára, volta, coloca a mão sobre a cabeça do menino e lhe diz: - Você me encontrará no seu credo, na sua fé, no seu coração. Eu cuidarei de ti até o fim, pois tu és meu filho. Eu te protegerei por toda tua existência, e nunca o abandonarei. Chamarei-lhe sempre de meu filho, pois minha missão é te guiar, te orientar e estar contigo em todas as horas da tua vida, em todos os seus atos, e nunca precisará jurar mais por mim, basta apenas acreditar e não perder tua fé. Meu nome é OGUN !!!!!!! |




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