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Com arruda, guiné, alecrim e alfazema...
No dia 13 de maio de 1888, foi sancionada a lei imperial nº 3.353, conhecida por todos como Lei Áurea. Foi assinada por Dona Isabel, princesa imperial, na qual extinguia o regime escravocrata no Brasil. Para a maioria das pessoas é o dia do término de um período histórico no qual relata todo o sofrimento de um povo, oriundo da Mãe África, que sofreu com torturas das mais diversas e muitas mortes. Também é nesta data que nós, os umbandistas, comemoramos o dia das entidades conhecidas como Preto-velhos. Com certeza a mais carismática entidade que povoa os terreiros de Umbanda. A mística do Preto-Velho é fruto de condições e circunstâncias únicas em terras brasileiras. A sofrida vida dos escravos, trazidos da África, já bastante documentada e comentada, fazia com que os indivíduos, em função do penoso e extenuante trabalho a que eram submetidos, somado aos maus tratos, vivessem, em média, somente sete anos após sua chegada ao Brasil. As mudanças no panorama econômico brasileiro, como a decadência do ciclo da cana-de-açúcar e a redução da atividade mineradora, fizeram com que uma grande leva de escravos migrados para os centros urbanos, pudessem levar uma vida mais amena e conseguissem ter uma expectativa de vida mais longa. Mesmo assim as condições de salubridade, nesta época, não favoreciam a longevidade. Então surge a figura daquele escravo que, apesar das suas condições de vida, alcança idade avançada, personificando o patriarca da raça, cuja sapiência parece lhe ser conferida pelos cabelos brancos. Nas sociedades tradicionais, a figura do idoso é um símbolo da experiência de vida e um pilar da cultura do grupo a que pertence; aquele que deve ser ouvido e cujos conselhos devem ser seguidos. Vemos, portanto, o aparecimento de uma entidade cuja linha de trabalho é marcada pela tolerância, rústica simplicidade e um profundo sentimento de caridade. Só quem sofreu na carne as desventuras da vida, pode entender ou se aproximar da compreensão do sofrimento alheio, porque é possível responder a toda violência sofrida, com amor, sem nenhum sentimento revanchista ou de vingança. Excelentes mandingueiros têm nas ervas arruda, guiné, alecrim e alfazema, dentre outras sua principal fonte para as curas através de suas benzeduras e orações. Geralmente sentados em seus banquinhos apoiados em suas bengalas e fumando seus cachimbos e palheiros, demandam contra todo o mal que assola os humanos, trazendo a paz, o amor e a evolução espiritual de seus médiuns e consulentes. Em homenagem a estas maravilhosas entidades da Umbanda, celebramos o dia 13 de maio não apenas como a libertação de um povo, mas também a gratidão por estarmos protegidos por suas bênçãos. Salve a falange de Preto-Velhos. |



